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Projetos de pista de skate exigem conhecimento rigoroso do esporte

Características do terreno, materiais e sistemas construtivos são alguns dos fatores que norteiam o trabalho de arquitetos e engenheiros no desenvolvimento desses espaços

Texto: Gabriel Bonafé

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Bowl de skate em Portão, município do Rio Grande do Sul (Acervo/ SPOT Skateparks)

Para que uma pista de skate seja bem projetada, o profissional responsável precisa, acima de tudo, conhecer o esporte a fundo. De acordo com o arquiteto e urbanista Fábio Lanfer Marquez, sócio do escritório Lanfer Arquitetura, a criação de uma norma técnica específica não seria necessária, uma vez que limitaria a criatividade dos projetistas. “O que é realmente essencial é informação e ampliação de uma cultura profissional vinculada ao esporte”, reforça.

Em geral, o projeto é norteado pelo propósito daquele espaço, que pode variar de um simples local para treinamento a uma sede de competições internacionais. As diferentes modalidades e níveis de dificuldade que o skatista irá encontrar devem ser determinados após uma pesquisa sobre a necessidade do cliente e a experiência do usuário.

A concepção de uma pista de skate também é permeada por outras particularidades, como adequação do espaço que receberá a obra, aplicação de materiais de qualidade e execução controlada de sistemas construtivos, tudo em conformidade com o orçamento disponível.

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Conclusão de obras de plaza e bowl de skate em Cabo Frio, município do Rio de Janeiro
(Acervo/ SPOT Skateparks)

CONDIÇÕES DO LOCAL

A análise do local que receberá a pista é um dos fatores primários para a elaboração do projeto. Averiguar as condições do solo, por exemplo, é crucial para estimar os custos da fundação e necessidade de movimentação de terra. “É necessário considerar as declividades e patamares, interferências como pilares ou árvores, limites de altura, área total a ocupar e se a pista será coberta ou descoberta”, conta Lanfer.

“Também é preciso atender a questões como leis municipais, drenagem das chuvas em espaços públicos, posição do público e acesso de emergência em eventos”, acrescenta o arquiteto e urbanista Frederico Cheuiche de Oliveira, sócio-diretor de projetos e obras da SPOT Skateparks. A análise deve incluir, ainda, o entorno do espaço para que se possa manter um bom diálogo urbanístico e paisagístico.

Leia também: Pista de skate alagável vira solução para enchentes em Roskilde

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Projeto de snakerun e bowl no bairro Costeira do Pirajubaé, centro-oeste de Florianópolis, Santa Catarina
(Acervo/ SPOT Skateparks)

DIMENSIONAMENTO DA PISTA

O dimensionamento da pista de skate varia de acordo com a tipologia. As mais comuns são a bowl(semelhante a uma piscina vazia), a mini ramp(uma rampa de frente para outra) e a plaza (planície com obstáculos e elementos como corrimãos, escadas, entre outros). “Também tem os loopings, mas não são muito usuais”, cita o arquiteto e urbanista Sylvio Az, sócio do escritório Rio Ramp Design (RRD).

Outro fator que influencia o dimensionamento é o flow da área, isto é, a dinâmica de circulação. “A relação espacial entre os obstáculos e rampas ajuda a definir o controle da velocidade e os espaços adequados de entrada e saída, além de minimizar riscos de choques entre os skatistas”, explica Cheuiche.

O que é realmente essencial é informação e ampliação de uma cultura profissional vinculada ao esporte
Fábio Lanfer Marquez

MATERIAIS

Os materiais mais utilizados para construção das pistas são o concreto armado, a madeira e a estrutura metálica, variando conforme as características do projeto. A madeira, por exemplo, é indicada para pistas internas ou cobertas, pois o material perde durabilidade e exige manutenção frequente se ficar exposto a chuvas e umidade.

O emprego da madeira pode ter finalidade estrutural ou de acabamento. “O material precisa ter boa rigidez, fácil usinagem, pinus de boa qualidade, compensados navais tratados e revestimentos em laminados de alta densidade nas camadas onde o skate desliza”, prescreve Az.

“Há diversos tipos de chapas de compensado e madeirites para o acabamento, incluindo chapas de madeirite próprias para skate, que tendem a ser mais lisas, ou seja, contraindicadas para iniciantes”, aponta Lanfer.

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Posicionamento de armaduras para futura concretagem de bowl (Acervo/ SPOT Skateparks)

CONCRETAGEM CONTROLADA

Ideal para pistas expostas a intempéries, a aplicação do concreto exige um controle rigoroso do traço, adensamento e desempeno. De acordo com Lanfer, após a instalação de fôrmas e ferragens, a execução divide-se em quatro etapas:

1. Concreto magro para isolar a pista do terreno
2. Posicionamento das armaduras com espaçadores e das mestras de concretagem
3. Concretagem da camada total com sarrafeamento simultâneo
4. Acabamento ou polimento simultâneo à cura do concreto

A relação espacial entre os obstáculos e rampas ajuda a definir o controle da velocidade e os espaços adequados de entrada e saída, além de minimizar riscos de choques entre os skatistas
Frederico Cheuiche de Oliveira

A quarta etapa é a mais delicada, exigindo planejamento e acompanhamento rigoroso do processo de cura. “O acabamento deve ser realizado simultaneamente, antes da secagem superficial. Caso contrário, a parte concretada é perdida”, alerta Lanfer.

Além disso, o acabamento exige muito cuidado nas transições da pista e, devido às curvaturas, é executado em um processo artesanal. “Ele é feito manualmente com desempenadeiras construídas especialmente para cada raio nas curvas”, revela Az.

Nas superfícies planas, o acabamento é feito com equipamentos motorizados, denominado alisadoras de concreto. O sistema construtivo é chamado de concreto polido, o qual não deve ser confundido com o cimento queimado decorativo.

Az recomenda a especificação do concreto usinado projetado via úmida para rampas e outros elementos com altura superior a 2 m. Para outras situações, pode ser utilizado o concreto virado na obra.

Leia também: Projeto de quadra esportiva deve levar em conta o uso do espaço

Colaboração técnica

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Fábio Lanfer Marquez – Formado em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie, é sócio do escritório Lanfer Arquitetura, com foco em projetos residenciais, pistas de skate e estabelecimentos comerciais.
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Frederico Cheuiche de Oliveira – Arquiteto e Urbanista formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAU-UFRGS). É sócio-diretor de projetos e obras da SPOT Skateparks e skatista há 25 anos.
sylvio-az
Sylvio Az – Formado em arquitetura e urbanismo, é sócio do escritório Rio Ramp Design (RRD).
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